Jonas José Aguiar de Souza

Narrativa

Liderança, para mim, sempre significou servir, desde os panfletos que distribuía aos 13 anos para ajudar minha família até os 620 funcionários que gerenciei aos 21. Minha jornada, marcada pela fé e resiliência, revela como transformo adversidades em oportunidades para inspirar outros. Meu nome é Jonas José Aguiar de Souza, e minha trajetória como líder começou nas ruas de São Gonçalo, onde a pobreza e a fé moldaram minha visão de liderança como serviço. Desde os 13 anos, quando distribuía panfletos, até minha atual posição como secretário executivo da Associação Rio Sul, cada desafio me ensinou que liderar é transformar vidas por meio do exemplo e do compromisso.

Infância

Nasci no dia 22 de julho de 1983, em São Gonçalo — uma cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro, com quase um milhão de habitantes (o segundo maior município em população do estado) — e cresci no bairro suburbano de Neves.

Cidade natal - São Gonçalo

Embora meu pai tenha tido três filhos do primeiro casamento, sou o primogênito do casal Jonas José de Souza e Mauridea de Lourdes Aguiar Albuquerque. Quando eu tinha oito anos, recebi um lindo presente de Deus: meu tão esperado irmãozinho chamado Guilherme.


Até os sete anos de idade, tive uma vida de certo conforto financeiro, embora tenha poucas lembranças dessa fase. Por outro lado, era um período de muitas brigas familiares, pois meus pais nunca conviveram bem: ciúmes, discussões, agressões... Logo após eu completar sete anos, meus pais quebraram financeiramente, e então a situação começou a se complicar bastante.


Meu pai abandonou minha mãe e foi para o interior da Paraíba, prometendo voltar para nos buscar. Dois meses depois, a pedido dele, fomos para a cidade de Guarabira, na tentativa de recomeçar a vida.


Foi ali que, pela primeira vez, doei algo de valor para mim: um brinquedo chamado Acquaplay. Eu gostava muito dele, mas o olhar alegre de uma criança ao recebê-lo foi inesquecível.


Na volta ao Rio de Janeiro, minha mãe já estava grávida do meu irmão, citado anteriormente. Fomos morar com meus avós maternos — na verdade, esse imóvel era o único bem que meus pais possuíam. Tenho muito amor pela minha família, especialmente pelos parentes mais próximos por parte de mãe.


Foi nesse período que me envolvi com a Igreja Católica. Fiz a primeira comunhão aos 10 anos, pois morava perto da igreja e sempre ia sozinho à missa. Também atuei como coroinha na paróquia. Além das atividades nas celebrações, gostava muito de visitar idosos para levar a “comunhão” e ficava impressionado com o respeito com que o padre era recebido. Foi assim que, ainda na infância, nasceu em mim o desejo de ser padre.


Essa foi uma fase muito difícil para nós, pois passamos fome em algumas ocasiões. Tenho lembranças duras de tentar dormir com fome ou de tentar saciá-la bebendo água. Também me recordo de várias vezes em que tivemos a energia cortada por falta de pagamento, com os vizinhos observando pelas janelas.


Minha mãe sempre teve problemas pulmonares. Não foram poucas as vezes em que precisei correr pela vizinhança pedindo ajuda — às vezes durante o dia, às vezes de madrugada — pois ela estava em crise, sem conseguir respirar. Mas, mesmo nesses momentos, sempre senti Deus ao meu lado.


Comer angú sem tempero (apenas água e fubá) se tornou um certo trauma para mim. Pedir pão duro aos vizinhos não era força de expressão, era a nossa realidade. Lembro com carinho de minha mãe, minha tia e minha avó deixando de comer para que eu pudesse me alimentar.


Aos 11 anos, meus pais se separaram novamente, e eu assumi responsabilidades além da minha idade ao cuidar do meu irmão e apoiar minha mãe durante seu curso profissionalizante. Essa experiência precoce me ensinou resiliência e gestão de recursos limitados.

Desafios

Liderança, para mim, sempre significou servir, desde os panfletos que distribuía aos 13 anos para ajudar minha família até os 620 funcionários que gerenciei aos 21. Minha jornada, marcada pela fé e resiliência, revela como transformo adversidades em oportunidades para inspirar outros.


Desde cedo assumi responsabilidades. Aos 11 anos, trabalhei como servente de pedreiro, e aos 13 distribuía panfletos para ajudar minha família. Vivenciei crises financeiras severas, momentos de fome, problemas de saúde da minha mãe e dificuldades estruturais em casa. Cada adversidade foi também uma escola de resiliência, onde desenvolvi habilidades que mais tarde aplicaria na liderança.


Essa foi uma fase muito difícil para nós, pois passamos fome em algumas ocasiões. Tenho lembranças duras de tentar dormir com fome ou de tentar saciá-la bebendo água. Também me recordo de várias vezes em que tivemos a energia cortada por falta de pagamento, com os vizinhos observando pelas janelas.


Comer angú sem tempero (apenas água e fubá) se tornou um certo trauma para mim. Pedir pão duro aos vizinhos não era força de expressão, era a nossa realidade. Lembro com carinho de minha mãe, minha tia e minha avó deixando de comer para que eu pudesse me alimentar. Não foi por muito tempo, mas foi extremamente intenso...


Como resultado de uma vida de vício em cigarros, minha mãe sempre teve problemas pulmonares. Não foram poucas as vezes em que precisei correr pela vizinhança pedindo ajuda — às vezes durante o dia, às vezes de madrugada — pois ela estava em crise, sem conseguir respirar. Mas, mesmo nesses momentos, sempre senti Deus ao meu lado. Em cada dificuldade, percebia Sua presença.


Aos 11 anos, meus pais se separaram novamente, e eu assumi responsabilidades além da minha idade ao cuidar do meu irmão e apoiar minha mãe durante seu curso profissionalizante. Essa experiência precoce me ensinou resiliência e gestão de recursos limitados — habilidades que mais tarde aplicaria na liderança de equipes em contextos desafiadores.

Conversão

Depois de algum tempo, minha mãe começou a trabalhar em uma confecção, onde conheceu uma colega chamada Gilcéia, que era Adventista do Sétimo Dia. De forma estratégica, ela deixava sobre a máquina de costura um folheto com o título: “CRISTO VEM, PREPARA-TE!”, o que chamou a atenção da minha mãe.


Após alguns estudos bíblicos realizados durante o horário de almoço, por algumas semanas, minha mãe visitou a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Alcântara pela primeira vez — isso foi em maio de 1995. Inicialmente, rejeitei o convite para ir à igreja, por causa da minha fé católica. Mas minha mãe fez uma proposta: que eu fosse uma única vez, e que ela não insistiria caso eu não gostasse. Aceitei, fui... e gostei.


Era um sábado de 13º e me convidaram para participar do Clube de Desbravadores à tarde. Fui sem saber o que era. Lá encontrei adolescentes da minha idade conversando sobre um acampamento que aconteceria dali a duas semanas. Me interessei pela aventura e fui a esse acampamento.


No clube, fiz novas amizades com jovens que valorizavam a espiritualidade. Aprendi valores que nunca havia ouvido falar antes, como a importância do desenvolvimento físico, mental e espiritual. Participei de diversas atividades que promoviam o crescimento integral. Aprendi sobre a organização administrativa e fui exposto à necessidade de estudar e aprender especialidades, o que me motivou muito.


Comecei a estudar a Bíblia com Dona Marta, uma irmã distinta, muito espiritual, que era professora da Classe Bíblica. Ela ia até a minha casa todo domingo à tarde para estudar a Bíblia com cinco adultos e uma criança — eu. Fiquei impressionado com o que descobria nas Escrituras.


Foi exatamente nesse momento que decidi pelo batismo. Fui batizado no dia 25 de setembro de 1995 pelo pastor Josemir Albino. Era um domingo à noite, fazia muito frio e eu estava bastante doente, mas o sentimento foi maravilhoso e inesquecível.

Com 23 anos, decidi abandonar tudo o que tinha na empresa e aceitar o chamado para ser pastor. Na época, eu já era ancião na igreja de Acari, e minha decisão de priorizar o ministério em vez do lucro refletiu uma cosmovisão cristã consolidada: entender que liderança é vocação, não carreira.


Em 2006, fiz a prova para o curso de Teologia e não passei, mas insisti no chamado. Após algumas provações e milagres, finalmente iniciei minha jornada no seminário em 2008. De 2008 a 2011, vivi um período intenso de aprendizado teológico, espiritual e vivencial. Meu terceiro filho nasceu no ano da minha formatura, consolidando um período de fé e superação.


Voltei ao Rio de Janeiro para atuar como pastor na minha terra natal. Trabalhei em distritos como Santíssimo, Belclima e Recreio, onde plantei igrejas, reformei estruturas, formei líderes e desenvolvi mentoria intencional. Ministrei em comunidades carentes e fui moldado por líderes experientes.


Em 2019, fui nomeado departamental de Mordomia Cristã da Associação Rio Sul. Durante a pandemia, precisei me reinventar e liderar com inovação, promovendo comunhão virtual, mentorias e apoio espiritual a líderes.


Em 2022, fui nomeado Secretário Ministerial da Associação Rio Sul, apoiando pastores com cuidado, escuta ativa e mentoring. Em 2023, fui escolhido como Secretário Executivo da associação — um cargo que me desafia e honra, pois lidero com espírito de serviço e confiança em Deus.

Ministério Pastoral

Hoje, exerço uma liderança que integra gestão organizacional e missão espiritual. Sirvo em nome do Reino, com humildade, estratégia e fé — formando líderes, discipulando pessoas e construindo comunidades vivas e comprometidas com a missão.

Família

Aos 16 anos, conheci a Mariana — uma jovem espiritual, dedicada ao ministério musical, simpática e cheia de vida. Ela se tornou o amor da minha vida, minha companheira de missão, e, com o tempo, minha esposa. Ao lado dela, construí tudo o que tenho e sou. Mariana é, sem dúvidas, um presente de Deus: instrumento pelo qual Ele molda meu caráter e me torna um cristão e líder melhor.


Casamos jovens, com o coração cheio de sonhos. Ainda em meio aos desafios da juventude e da vida profissional, nossa família começou a ser construída com amor, oração e propósito.


Nossos Filhos


  • Juliana
    Juliana – Nossa primogênita, nascida no período em que eu era gerente de uma grande empresa. Sua chegada trouxe muita alegria e foi um marco da nossa primeira fase como pais.
  • Segundo Filho
    Miguel – Foi concebido logo após minha decisão de deixar a carreira corporativa para seguir o chamado pastoral. A gravidez foi uma confirmação do novo ciclo que Deus nos conduzia.
  • Josué
    Josué – Nosso terceiro filho, nascido em novembro de 2011, em uma gravidez extremamente delicada. Seu nascimento foi considerado um verdadeiro milagre, pois Deus preservou a vida dele e da Mariana em meio a complicações graves.

Ao longo dos anos, formamos uma família baseada em fé, unidade e propósito. Nossos filhos cresceram acompanhando o ministério, participando da missão e aprendendo o valor do serviço a Deus e ao próximo.

Família de Jonas e Mariana

Hoje, ao lado de Mariana e dos nossos três filhos, continuo firme no propósito de liderar com amor, edificar com sabedoria e servir com esperança — em casa, na igreja e na sociedade.

Valores

Desde a infância em São Gonçalo até as responsabilidades atuais como secretário executivo da Associação Rio Sul, minha trajetória foi moldada por valores cristãos e experiências transformadoras. Cresci enfrentando a pobreza, a ausência paterna, e testemunhei a fé da minha mãe, que me ensinou resiliência, empatia e esperança.


Aprendi que liderar é servir — não por status, mas por vocação. Vi em cada dificuldade uma oportunidade de crescimento. A fé, o amor ao próximo, a valorização da educação e o compromisso com a verdade bíblica sempre guiaram minhas decisões. Esses princípios me conduziram desde os tempos em que distribuía panfletos aos 13 anos até hoje, servindo líderes e comunidades.


Na prática do ministério, reafirmei a importância da ética, da humildade e da integridade. Acredito na liderança moral, que reconhece o valor intrínseco de cada pessoa, e na liderança transformacional, que inspira outros a viverem com propósito.


Entre os valores que me definem, destaco: fé em Deus, serviço ao próximo, fidelidade, empatia, coragem moral, escuta ativa, justiça, inovação com propósito, e esperança. Esses são os pilares que sustentam minha missão — e que desejo cultivar em toda liderança que exerço.


Com alegria e intencionalidade, sigo comprometido em viver e compartilhar esses valores, certo de que liderança cristã é mais do que estratégia — é coerência entre fé, caráter e ação.

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