O Rio Como Espelho da Jornada
A proposta desta autobiografia é mais do que relatar uma sequência de fatos — é revelar uma jornada de formação espiritual, pastoral e pessoal por meio de imagens simbólicas. Para isso, adotei como fio condutor uma metáfora profundamente enraizada em minha história e identidade: a cidade do Rio de Janeiro. O Rio, com suas paisagens diversas, seus contrastes marcantes e sua beleza resiliente, representa de maneira viva a minha caminhada como líder. Cada ponto turístico, cada símbolo dessa cidade, oferece uma lente única pela qual é possível interpretar fases distintas da minha trajetória. Da Baía de Guanabara aos bairros do subúrbio, do alto do Corcovado à leveza da Ilha de Paquetá, cada capítulo desta narrativa se conecta a um lugar icônico, traduzindo em imagens locais os processos internos que vivi. Assim como o Rio une morro e asfalto, mar e concreto, tradição e inovação, minha liderança foi sendo moldada por contrastes, encontros e transformações. Essa abordagem metafórica busca não apenas contextualizar minha história, mas também expressar meu compromisso com uma liderança que seja ao mesmo tempo enraizada na realidade, sensível à cultura e guiada por propósitos eternos. Espero que, ao percorrer esses capítulos, o leitor possa enxergar, como quem caminha pela orla ao entardecer, não apenas a beleza do cenário, mas também os passos marcados pela graça ao longo do caminho.
Capítulo 1 – Neves: O Início no Subúrbio
Onde o asfalto é quente e a esperança germina.
Nasci em São Gonçalo, segunda maior cidade do estado do Rio de Janeiro. Meu bairro era Neves, uma região suburbana, simples, mas cheia de vida. Foi nesse cenário de ruas estreitas, casas modestas e cotidiano difícil que dei meus primeiros passos, e onde Deus começou a moldar quem eu viria a ser. Minha família, por parte de mãe, era muito religiosa, ligada a práticas espirituais afro-brasileiras, mas desde pequeno eu me sentia atraído pelo catolicismo. Gostava de ir às missas, me tornei coroinha, e fazia isso por vontade própria, sem pressão. Já do lado do meu pai, a distância era mais que física: éramos pouco próximos, e sua presença era mais percebida na ausência. Trabalhando muito e, muitas vezes, estendendo as noites no bar, ele voltava tarde para casa. Mesmo assim, eu o esperava acordado. Às vezes, na hora do jantar, perguntava: “Pai, você não vai querer mais, né?”, torcendo para pegar o pedaço de carne que sobrava. Ele, com um sorriso cansado, deixava para mim. Eram gestos simples que eu guardo até hoje. Até os sete anos, minha vida teve algum conforto financeiro, mas era marcada por constantes discussões entre meus pais. O casamento deles era instável, com ciúmes, brigas e agressões verbais. Quando completei sete anos, tudo mudou: a empresa da família quebrou, e com a falência veio a separação. Meu pai foi para a Paraíba e, dois meses depois, minha mãe, decidiu tentar recomeçar ao lado dele. Moramos de favor na casa do meu tio Maurílio. Conheci familiares do lado paterno pela primeira vez. Foi ali, em meio à simplicidade e à pobreza ainda maior que a nossa, que vivi um momento marcante: doei um brinquedo que eu amava, o Acquaplay, para uma criança. Ver a alegria nos olhos daquele menino foi uma das primeiras experiências que me ensinaram o que é empatia (Competência: Responsabilidade Social). Pouco tempo depois, voltamos para o Rio. Com minha mãe, agora grávida do meu irmão Guilherme, e fomos morar na casa dos meus avós maternos. O imóvel era o único bem que meus pais ainda tinham. Criei laços fortes com meus avós, especialmente minha avó Maurilete e meu avô Geraldo, além dos meus tios Janaína e Juninho. Meu avô travava uma luta constante contra o alcoolismo. lembro que durante a minha infância e adolescência, por algumas vezes tive que buscá-lo caído na rua. Depois, ele e minha avó foram morar em Maricá, onde cuidaram de um sítio. Guardo boas lembranças dos finais de semana ali: aprendi a andar de bicicleta, subir em árvores, brincar longe do barulho do subúrbio. Vivíamos com dificuldade. Tínhamos crises de falta de comida. Lembro de noites indo dormir com fome e tentando enganar o estômago com água. A energia era cortada com frequência, e até aprendemos a fazer “gato” da rede elétrica. Comíamos pão duro frito com óleo e sal ou aproveitávamos cascas de pão que um tio da minha mãe nos dava. São experiências que, até hoje, me comovem. Mesmo diante de tantas privações, minha mãe nunca deixou de lutar. Ela acreditava na educação e sempre dizia que o estudo seria meu caminho. Também sempre me tratou com muito carinho, me ouvia, conversava comigo com honestidade e chorava muitas vezes por não poder nos dar o que queria. Foi com ela que desenvolvi um vínculo forte, uma confiança verdadeira. Meu pai, embora ausente emocionalmente, também valorizava o estudo. Ele dizia: “Eu não tive escola, mas se você quiser ser alguém na vida, precisa estudar” (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Eram dias de escassez, mas que formaram o meu senso de justiça, de compaixão, e de identificação com o sofrimento alheio (Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã e Competência Responsabilidade Social). Minha mãe, muito guerreira, começou a trabalhar como diarista, e eu cuidava do meu irmão Guilherme, ainda pequeno. Vizinhos, como Dona Sueli, eram apoio indispensável. Minha tia Janaína também morou conosco por um tempo. Havia um senso de comunidade que, mesmo em meio à pobreza, mantinha nossa dignidade (Competência: Responsabilidade Social). Minha mãe sofria com crises respiratórias graves. Por conta do vício em cigarro, frequentemente tinha crises em que mal conseguia respirar. Algumas vezes, desmaiava. Eu, ainda menino, saía correndo pelas ruas, pedindo ajuda. Batia nas portas dos vizinhos, às vezes no meio da madrugada, tentando encontrar alguém que nos ajudasse a socorrê-la. Essas cenas, que podiam ser traumáticas, acabaram se tornando pilares de resiliência e espiritualidade para mim. Eu orava, buscava forças em Deus, e de alguma forma sempre sentia que Ele estava presente conosco, mesmo na dor (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Aos 11 anos, quando meus pais se separaram novamente, comecei a assumir responsabilidades muito cedo. Cuidava do meu irmão, ajudava em casa e via minha mãe se esforçar para concluir os estudos e fazer um curso técnico. Aos poucos, Deus ia abrindo caminhos. Minha avó construiu uma casa no mesmo terreno da nossa, e isso trouxe algum alívio para nossa estrutura familiar (Competência: Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Naquele ambiente, comecei a entender que minha história, marcada por dor, também podia gerar esperança. Aprendi valores novos, descobri talentos e comecei a me ver como alguém capaz de fazer a diferença (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Mais tarde, no mesmo terreno, minha avó construiu uma casa simples onde passaram a viver. Foi em Neves, com o chão rachado, o barulho das buzinas, o pão duro e o afeto da minha mãe, que minha liderança começou a germinar. Não havia luz elétrica todos os dias, mas havia fé. E essa luz nunca se apagou.
Capítulo 2 – Baía de Guanabara: Contrastes que Moldam o Caráter
Como a Baía que mistura beleza e poluição, minha adolescência foi marcada por tensões.
A Baía de Guanabara é um dos símbolos mais marcantes do Rio de Janeiro. Vista de longe, encanta; de perto, revela suas feridas, resultado de abandono e descuido. Assim foi minha adolescência: repleta de beleza interior florescendo, mas cercada de dificuldades, carências e lutas que exigiram fé, força e adaptação. Foi nesse período que conhecemos uma colega adventista da minha mãe, a Gilcéia, que começou a estudar a Bíblia com ela no horário do almoço. Foi por meio dela que conhecemos a Igreja Adventista de Alcântara. A princípio, resisti. Eu era católico, gostava do que fazia na igreja, vinha de uma vivência católica sólida. Tinha feito a primeira comunhão, era coroinha e gostava do ritual, do silêncio, da reverência e até sonhava em ser padre. Mas aceitei visitar a igreja adventista uma vez, e fui num sábado de 13º. À tarde, me convidaram para o clube de desbravadores. Sem saber o que era, fui. E ali, pela primeira vez, encontrei adolescentes da minha idade que valorizavam Deus, a Bíblia e o serviço. Fui convidado para um acampamento que aconteceria em duas semanas, e decidi ir. Foi um divisor de águas (Competência: Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). No clube de desbravadores aprendi sobre liderança, disciplina, cuidado com o corpo, mente e espírito. Comecei a entender que Deus não estava apenas no templo, mas também na floresta, nas trilhas, nas reuniões. Era um espaço onde jovens como eu eram valorizados, desafiados e acompanhados. Participávamos de unidades com papéis definidos, aprendíamos especialidades como primeiros socorros, civismo, natureza e missão. Era uma formação integral, estruturada, e que me tirava por algumas horas da dureza da vida em casa. (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas e Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). No clube, aprendi valores que nunca havia ouvido falar antes, como a importância do desenvolvimento físico, mental e espiritual. Participei de diversas atividades que promoviam o crescimento em cada uma dessas áreas. Aprendi sobre a organização administrativa do clube e fiz parte da minha primeira unidade, composta por oito desbravadores da minha faixa etária — cada um com uma função (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Fui exposto à necessidade de estudar e aprender diversas especialidades, o que me motivou muito (Competência Inovação e Mudança). Além disso, iniciei estudos bíblicos com a irmã Marta, uma senhora simples, deficiente física, que andava com muletas e morava longe de casa. Todo domingo à tarde, ela ia até minha casa para estudar a Bíblia comigo e com cinco adultos. Eu era o único adolescente no grupo. Eu era muito ativo no catecismo e me esforçava para acompanhar o que o professor ensinava, mas ao descobrir que a Bíblia ensinava verdades diferentes do que eu havia aprendido até então, fiquei profundamente surpreso (Competência Comunicação Intercultural e Globalização). Dona Marta, sempre gentil e com profundo conhecimento bíblico, nos ensinava com paciência e dedicação (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Sua presença, sua paciência e seu exemplo me impactaram. Descobri que a Bíblia tinha muito mais a dizer do que eu imaginava — e que muito do que eu aprendera no catecismo não era compatível com o texto bíblico (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Em breve fui batizado num frio domingo à noite de setembro de 1995. Logo, minha mãe e eu formamos uma dupla missionária. Saíamos para dar estudos bíblicos. Tínhamos prazer em ensinar. Sentíamos alegria em ver pessoas entregando a vida a Jesus. Conduzir alguém ao batismo ainda adolescente foi uma das primeiras experiências que me mostraram que minha vida tinha um propósito maior — que meu sofrimento não havia sido em vão, mas que poderia servir para abençoar outras pessoas (Competência Responsabilidade Social e Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Um dia, num almoço na casa do irmão Costa, ancião da igreja, ele me olhou e disse: “Você deveria ser pastor”. Eu, tímido, sem coragem de dizer que não, apenas balancei a cabeça afirmando. Mas aquela semente ficou plantada. Com o tempo, começou a germinar. Quase um ano depois, passamos a frequentar a igreja do Barreto, onde conheci novos líderes que marcaram profundamente minha formação: irmão Lourenço Gonzalez, os irmãos Castro, e o querido Pr. Reinaldo Coutinho. Foram homens que me ensinaram com o exemplo, que me acompanharam de perto, que mostraram como a liderança na igreja era feita com serviço, dedicação, e vida no altar (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). A adolescência foi, para mim, uma fase de muitos contrastes. Como a Baía de Guanabara, carregava dores, mas também refletia o céu. Mesmo com as marcas da pobreza e da ausência, foi nesse tempo que a fé floresceu, a vocação nasceu e o caráter começou a ser moldado.
Capítulo 3 – Subida ao Corcovado: O Chamado
Como quem sobe para ver o Cristo Redentor, minha vocação foi se revelando aos poucos.
Se a infância foi marcada pelas bases do serviço, a adolescência revelou algo ainda mais profundo: o chamado. Como quem sobe ao Corcovado, minha caminhada pastoral começou com passos curtos, subindo uma montanha íngreme e desconhecida, mas com um alvo visível no horizonte — Cristo, o Redentor. Por volta dos 13 anos, após uma fase intensa de crescimento espiritual, minha mãe e eu fomos convidados a conhecer a pequena congregação do Engenho Pequeno, que contava com apenas 12 membros. Era uma igreja humilde, muito carente de líderes e estruturas. Mas havia um acolhimento, um calor humano que nos atraiu. Decidimos permanecer ali e ajudar no que fosse preciso. Foi nessa igreja que tudo começou a tomar forma. Ali mesmo, fiz minha primeira pregação aos 13 anos. Ao final, senti algo que me marcou para sempre: o prazer de ser instrumento nas mãos de Deus (Competência Inovação e Mudança; Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã; Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). A partir daí, comecei a ser envolvido na liderança da igreja. Fui nomeado diretor jovem, mesmo com pouca idade. O irmão Ricardo Castro, que era o líder jovem distrital, passou a me orientar. Me ensinou como planejar reuniões, fazer escala de atividades, acompanhar os jovens e integrar ações com outros departamentos da igreja. Ele me deu ferramentas práticas e confiança para liderar mesmo sendo ainda um adolescente, ele foi meu primeiro mentor formal na liderança local (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Logo depois, o Pr. Reinaldo Coutinho começou a realizar reuniões semanais com os diretores jovens do distrito, e ali tive contato direto com a visão estratégica do ministério. Ele promovia reuniões semanais com os diretores jovens do distrito, onde ensinava sobre liderança espiritual, estrutura de igreja, gestão de tempo e discipulado. Com ele, aprendi que o ministério não se vive apenas no sábado — é uma entrega diária. Eu me sentia privilegiado por aprender diretamente com ele, um líder próximo, firme e apaixonado pela missão. Foi ele quem me ajudou a preparar minha primeira semana de oração, que preguei aos 14 anos. Foram sete dias que marcaram minha alma A cada mensagem, a cada noite, eu sentia minha timidez se transformar em ousadia espiritual. Eu descobria dons que estavam adormecidos, mas que o Espírito Santo começava a despertar. Meu chamado ia se formando não apenas na emoção, mas na prática. (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas; Liderança Organizacional e Competência: Inovação e Mudança). Nesse mesmo período, chegou ao distrito o Pr. Geovane Souza, que hoje é presidente da Associação Rio Sul. Ele passou a me acompanhar mais de perto e me envolveu diretamente no plantio de uma nova igreja. Essa experiência foi um marco. Visitávamos os interessados, preenchíamos fichas batismais, dávamos estudos bíblicos, orávamos com famílias. Era a igreja nascendo diante dos meus olhos — e eu ali, participando, aprendendo, servindo. Logo depois, o Pr. Geovane Souza assumiu o distrito. Ele percebeu em mim um potencial ministerial e passou a investir na minha formação. Sob sua liderança, fui nomeado diretor jovem distrital aos 16 anos, e logo depois, regional jovem. Ele me envolveu em diversos projetos, especialmente no plantio de uma nova igreja, onde pude acompanhar desde a identificação de interessados até os estudos bíblicos, batismos e organização dessa nova congregação. O reconhecimento vinha acompanhado de mais responsabilidades. Já não era apenas uma liderança local, mas uma rede de apoio a outras igrejas, outros jovens, outros líderes. Nessa fase, vivi o evangelho na prática: organizando fichas, orando com famílias, visitando irmãos. Cada ação era um degrau na minha caminhada para o ministério (Competência: Inovação e Mudança e Competência: Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Foi nesse tempo também que conheci a Mariana, uma jovem linda, simpática, espiritual e profundamente dedicada ao ministério musical da igreja. Começamos a conversar e a amizade logo se transformou em namoro. Percebi que Deus estava me presenteando com alguém que não apenas caminharia ao meu lado, mas compartilharia da mesma vocação de serviço (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Mariana era, e continua sendo, uma mulher de fé, alegria, equilíbrio e sabedoria. Ela me ajudou a amadurecer emocionalmente e espiritualmente. Mesmo jovens, sabíamos que nossa união tinha um propósito. O apoio dela à minha jornada ministerial começou ali e continua até hoje. Ela me ajudou a vencer a insegurança, fortaleceu meu compromisso com Deus e com a missão. Seu compromisso com Deus, sua paixão pelo louvor e sua maneira espontânea de se relacionar com as pessoas completavam minha maneira mais introspectiva de liderar. Juntos, formamos uma equipe antes mesmo de nos casarmos. Toda essa fase da minha vida foi como uma longa subida ao Corcovado. Cada etapa exigia esforço, sacrifício, coragem para superar a altitude emocional e espiritual. A visão do chamado se tornava mais clara a cada passo. Eu já não era apenas um jovem envolvido na igreja — estava sendo moldado, intencionalmente, para o ministério pastoral (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas e Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores). Aos poucos, a pergunta feita pelo irmão Costa em um almoço — “Você já pensou em ser pastor?” — deixava de ser um elogio educado e se tornava uma certeza silenciosa. O menino tímido, que tremia ao falar em público, já sonhava em dedicar sua vida ao cuidado de pessoas e à pregação do evangelho. O Cristo Redentor, no alto da montanha, já estava à vista.
Capítulo 4 – Pão de Açúcar: A Travessia da Fé
Deixar o mundo corporativo foi como atravessar o bondinho do Pão de Açúcar:
suspenso, sem garantias, confiando em cabos invisíveis.
O Pão de Açúcar é uma das paisagens mais emblemáticas do Rio de Janeiro. Imponente, firme, majestoso — mas o que realmente fascina não é apenas a vista, e sim como se chega ao topo: num bondinho suspenso, dependente de cabos invisíveis, exigindo confiança do início ao fim. Minha transição do mundo corporativo para o ministério pastoral foi exatamente assim: uma travessia feita com o coração na mão e os olhos na fé. Aos 18 anos, depois de experiências de trabalho como panfleteiro, servente de pedreiro e funcionário numa gráfica de um irmão da igreja, comecei a trabalhar com o irmão Moacir Assenheimer, em um entreposto de mel e produtos naturais. Ali comecei a vencer a timidez, aprender a negociar, lidar com clientes e desenvolver habilidades de liderança e comunicação. Dois anos depois, fui convidado pelo irmão Victor, membro da igreja de Piratininga (onde fui obreiro bíblico) para ser editor de imagens numa empresa que estava abrindo um novo setor. Comecei como o segundo funcionário e, com muito esforço, fui crescendo na organização. Trabalhei lá por seis anos, até chegar à posição de gerente geral, sendo responsável por centenas de colaboradores. (Competência Inovação e Mudança, Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). A empresa chegou a ter mais de 620 funcionários e quase 70 clientes ativos. Meu salário era excelente, chegando a receber o equivalente a 18 salários-mínimos, comissionamento e benefícios. Aos 21 anos, liderava centenas de pessoas, conduzia treinamentos, implementava processos, resolvia conflitos e dialogava com grandes empresários e proprietários do setor de transportes. Mas, ao mesmo tempo em que meu currículo profissional crescia, minha vida espiritual e familiar começava a desmoronar. A rotina era sufocante. Atendia a empresa de dia e de noite, inclusive em plantões e emergências. Mariana e eu estávamos recém-casados, com uma filha pequena e uma vida financeira estável, mas espiritualmente em crise. Ajudei minha mãe a concluir os estudos e fazer um curso técnico de enfermagem, o que era seu sonho. A vida, aos olhos humanos, estava no auge. Mas, por dentro, algo começou a ruir. A jornada de trabalho era intensa. Atendia clientes durante o dia, funcionários à noite, e a diretoria em tempo integral. (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã; Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional e Competência Inovação e Mudança; Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). O tempo com a família foi sendo consumido pelas demandas da empresa. Aos poucos, minha vida espiritual foi se apagando. Mariana, sensível como sempre, percebeu antes de mim. Nosso casamento entrou em crise. A ausência de tempo, afeto e atenção gerou afastamento Foram momentos tensos. A correria do dia a dia nos afastava, e houve momentos em que nosso casamento quase acabou. Mariana, sensível e corajosa, foi quem me despertou. Ela disse: “Jonas, você lembra do seu sonho de ser pastor?” Essa frase ressoou como o som do bondinho deixando a estação. Comecei a relembrar minha adolescência, as semanas de oração, os cultos dirigidos, os estudos bíblicos, os sorrisos dos irmãos, a presença de Deus. Percebi que havia me distanciado do chamado. Era como se Deus estivesse me chamando de volta para a montanha. Eu estava no alto de uma torre construída com esforço humano — mas era hora de saltar no bondinho da fé. Na época, cursava administração de empresas, mas aquela conversa foi o gatilho para uma reflexão profunda sobre minha vocação. Eu compreendia que a liderança não era apenas influenciar equipes — era conduzir vidas espiritualmente, formar discípulos, servir à missão (Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã e Competência: Inovação e Mudança). Fiz a prova para teologia no final de 2006, mas não fui aprovado. Fiquei decepcionado, mas logo entendi que o “não” de Deus era, na verdade, um “espera”. No início de 2007, compreendi por que ainda não era hora de partir. Dois milagres exigiam minha presença no Rio: A prima da Mariana, vinda da Paraíba com diagnóstico de câncer, passou a morar conosco com sua mãe e irmã. Conseguimos tratamento para ela no INCA, e sua cura foi considerada um milagre. Tivemos a honra de batizar toda a família e, anos depois, também o esposo e a filha dela. Meu irmão Guilherme, com 12 anos, havia se envolvido com o uso e a venda de drogas. Estava entrando no mundo do crime. Morou conosco, foi acolhido, amparado e, pela graça de Deus, liberto e restaurado. Entendi que Deus havia me mantido no Rio por propósitos maiores do que eu poderia imaginar. Esses dois episódios me mostraram que não ter passado na prova foi, na verdade, a permissão de Deus para que eu estivesse no lugar certo, na hora certa. (Competência: Responsabilidade Social e Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). No final de 2007, refiz a prova e entrei na lista de espera. Mesmo assim, pedi demissão da empresa novamente, afirmando: “Minha vaga vai sair. Deus já confirmou.” Com 23 anos, pedi demissão da empresa. Foi uma decisão absurda aos olhos humanos. Meus patrões não acreditaram, me ofereceram uma proposta de sociedade, tentaram me convencer de todas as formas. Mas a voz de Deus era mais clara do que qualquer benefício. Mas eu estava convicto: meu lugar era no seminário. Naquele momento, eu já era ancião da igreja de Acari, para onde havia me mudado aos 18 anos. Envolvido na liderança espiritual, já vivia parte do que viria a ser meu ministério. A decisão de sair da empresa não foi apenas uma guinada de carreira, foi uma reconexão com a minha essência. Recebi uma proposta de sociedade na empresa, mas recusei, convicto do chamado pastoral (Competência Inovação e Mudança, Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores e Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas) Se tivesse aplicado mentoring estratégico na empresa, teria preparado um substituto. Hoje, uso essa lição para capacitar sucessores em cada distrito pastoral. (Competência Inovação e Mudança e Aprendizagem e Competência Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas) Em janeiro de 2008, minha vaga foi oficialmente liberada. No dia seguinte, Mariana descobriu que estava grávida do nosso segundo filho. Era a confirmação divina. Partimos para o seminário com fé, uma mudança radical de vida e poucos recursos. Um presente e uma confirmação. Era o momento certo. Partimos para o seminário com o suficiente para pagar os quatro anos do curso. Mas com um ano e meio o dinheiro acabou. Durante o curso de teologia, experimentamos a providência divina de forma intensa. O restante veio por meio de milagres mensais, colportagem, ajuda de irmãos e promessas cumpridas por Deus. Deus provia exatamente o necessário. Cada semestre era um milagre. Durante os quatro anos do curso, nossa família cresceu em fé, maturidade e dependência (Competência Responsabilidade Social, Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores e Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Em 2011, nos formamos. Eu em teologia, Mariana em pedagogia. Tínhamos um casal de filhos e, em abril daquele mesmo ano, descobrimos a gravidez do nosso terceiro filho, Josué. A gravidez foi complicada, com riscos reais. Mas Deus preservou a vida de Mariana e do bebê. O nascimento de Josué e a formatura tornaram-se símbolos da fidelidade divina. A formatura foi, para mim, mais que uma cerimônia: foi um altar de gratidão (Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Tive professores que influenciaram positivamente minha formação. Meus estágios foram dirigidos por pastores experientes, e tive contato com igrejas exemplares. Presenciei milagres, especialmente na área financeira. Fomos ao seminário com recursos para quatro anos, mas o dinheiro acabou em um ano e meio. A partir daí, Deus conduziu minha caminhada (Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores; Competência Responsabilidade Social e Competência Inovação e Mudança). Cada mês era um milagre. Cada campanha de colportagem era uma confirmação do chamado. A travessia da fé não foi sem medo, sem noites em claro ou lágrimas no travesseiro. Mas, como o bondinho rumo ao Pão de Açúcar, cada metro percorrido foi sustentado por cabos invisíveis de graça, provisão e promessa. Isso me ensinou que, para viver o chamado, é preciso deixar o chão firme da segurança humana e confiar no invisível. O bondinho da fé não tem rede de proteção visível. Mas leva ao lugar certo. E eu, até hoje, sigo nesse trajeto: às vezes suspenso, sempre sustentado pela mão de Deus. Abandonei uma carreira lucrativa, com prestígio e segurança, para seguir uma vocação que me tirava da zona de conforto, mas me colocava no centro da vontade de Deus. Essa decisão me formou, me moldou e me acompanha até hoje em cada escolha de liderança
Capítulo 5 – Copacabana: Ritmos da Liderança
Cada igreja era uma onda diferente.
Copacabana é mais do que praia: é movimento, é alegria, é ritmo. Cada onda tem seu compasso, e quem se propõe a caminhar à beira-mar precisa aprender a respeitar as marés, ajustar o passo e seguir em frente. Foi exatamente isso que aprendi ao assumir distritos pastorais distintos como Santíssimo, Belclima e Recreio. Cada um com sua identidade, suas demandas e seus milagres. E todos, sem exceção, marcaram profundamente o meu processo de formação como líder. Em 2012, recebi meu primeiro campo ministerial: o Distrito de Santíssimo. Voltar ao Rio como pastor, especialmente na mesma associação onde havia crescido espiritualmente e decidido aceitar o chamado ao Ministério, foi uma grande honra. Na equipe pastoral da Associação Rio Sul, reencontrei referências da minha formação: Pr. Marcos Paes, Pr. José Calixto, Pr. Ismael, além do querido Pr. Bettero, que fora departamental quando entrei no clube de desbravadores. Chegar como pastor ao lado de pessoas que haviam sido meus mentores foi emocionante — mas também intimidante. Em Santíssimo, enfrentei pela primeira vez o desafio de liderar líderes com mais tempo de caminhada do que eu. Homens e mulheres de Deus com décadas de experiência estavam agora sob minha orientação espiritual e administrativa (Competência: Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Essa experiência me ensinou o valor da escuta, da humildade e da liderança em parceria. Percebi que não se lidera pela idade ou pelo título, mas pela coerência, pela disposição de servir, e pela capacidade de unir corações em torno de uma visão. Foram dois anos de muitos aprendizados. Presenciei milagres, desenvolvi vínculos profundos e participei do plantio de novas igrejas. Vi a fé renascer em comunidades que antes estavam estagnadas. E, mais do que números, aprendi a celebrar processos: o avanço que acontece em silêncio, o crescimento que começa com uma conversa na porta da igreja ou uma visita no fim da tarde (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas; Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional; Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã e Competência Inovação e Mudança). Depois, fui transferido para o Distrito de Belclima. Ali, descobri novas dimensões do ministério pastoral. Fui confrontado com algo que até então me era pouco familiar: obras, reformas e construção de igrejas. Com apoio de profissionais da própria igreja, fui entendendo sobre orçamentos, materiais, legislação e engenharia básica — tudo isso sem perder o foco espiritual da missão. Belclima também foi o local onde desenvolvi com mais profundidade o trabalho com mentoria e discipulado. Realizamos grupos de estudo com o ancionato, encontros de capacitação, mentorias individuais e projetos de discipulado. Em especial, acompanhei o crescimento do irmão Jason Batista, que chegou à igreja extremamente tímido e, com o tempo, se tornou ancião da Igreja do Rio da Prata (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Com Jason Batista e outros líderes, utilizei perguntas baseadas em reflexões pessoais e dons espirituais, como: “Qual o seu dom?”, “Como você entende sua missão na igreja?”, “O que você gostaria de fazer se não tivesse medo?” Essas perguntas simples provocaram mudanças profundas na autoimagem de muitos irmãos, despertando dons adormecidos. Inspirados por essas transformações, implementamos uma estrutura organizacional baseada nos dons espirituais. A igreja de Santa Clara foi reorganizada: os membros foram distribuídos em ministérios conforme seus talentos naturais e espirituais. Também redesenhamos a estrutura de tomada de decisões, criando um modelo mais descentralizado, participativo e eficiente, sem abandonar os cultos e tradições que sustentavam a identidade da igreja (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional e Competência Inovação e Mudança). Esses projetos geraram engajamento genuíno. As pessoas se sentiam vistas, valorizadas, úteis. E mais do que isso: sentiam-se chamadas por Deus para servir. Essa mesma lógica me acompanhou quando fui transferido para o Distrito do Recreio, um campo novo, desafiador, composto por apenas duas congregações com 19 membros cada. A realidade era bem diferente: uma região de difícil penetração do evangelho, com predominância de condomínios fechados, vida urbana intensa e pouca abertura para abordagens evangelísticas tradicionais. Mesmo assim, Deus abriu portas. Irmãos dos distritos anteriores — como Santíssimo e Belclima — se voluntariaram para fortalecer o trabalho ali. A igreja começou a tomar corpo, a liderança se estruturou, e o ministério começou a crescer (Competência Inovação e Mudança). Nesse distrito conheci o Ministério Servindo por Amor, liderado por Samuel, Ana Paula e outros jovens e adultos. O grupo saía todos os domingos às 6h da manhã para distribuir café da manhã aos moradores de rua, mas o projeto ia além da alimentação: era um modelo de reinserção social e cuidado integral. Eles sabiam os nomes dos moradores, acompanhavam suas histórias e estavam disponíveis em emergências durante a semana. Durante os três anos que atuei no Recreio, fiz parte ativa desse ministério. Vi vidas sendo transformadas, dependentes químicos sendo libertos, famílias sendo restauradas. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida pastoral (Competência Responsabilidade Social e Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). O projeto seguia uma lógica de liderança compartilhada: cada voluntário assumia tarefas específicas, havia autonomia, responsabilidade mútua e clareza de propósito (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). O ‘Servindo por Amor’ mostrou que a igreja não é apenas um prédio ou um programa — é presença viva onde a dor está. E mais: revelou que a liderança cristã não se limita à eloquência do púlpito, mas se revela na simplicidade do pão repartido na calçada. Hoje, ao olhar para esses três distritos — Santíssimo, Belclima e Recreio — vejo neles não apenas campos pastorais, mas escolas de formação, cada uma com seu ritmo, sua maré, sua identidade. Como as ondas de Copacabana, cada igreja tinha um tempo, uma força e uma beleza própria. E meu papel como pastor era, e continua sendo, ajustar o compasso, acompanhar o movimento e servir com fidelidade em cada estação.
Capítulo 6 – Arpoador: Servir à Margem
Como o sol que nasce primeiro no Arpoador, o ministério "Servindo por Amor" me ensinou a olhar para os invisíveis.
No Arpoador, um dos cantos mais simbólicos do Rio, o sol nasce antes de qualquer outro ponto da cidade. É ali que os primeiros raios iluminam a areia e rompem a escuridão. Assim também foi minha experiência com o Ministério Servindo por Amor, no Distrito do Recreio: uma luz de compaixão e dignidade que nasceu em meio à noite da exclusão e do abandono. O Distrito do Recreio era novo, recém-criado, formado por apenas duas congregações pequenas com 19 membros cada uma. Ali foi, em muitos sentidos, o mais desafiador do meu ministério até então. A região, por um lado, era marcada por condomínios de alto padrão, e por outro, por realidades de rua muitas vezes invisibilizadas pela dinâmica urbana acelerada. Ali, evangelizar era desafiador, e alcançar corações exigia novas estratégias e uma escuta mais sensível (Competência Inovação e Mudança). Foi nesse contexto que conheci o ministério “Servindo por Amor”. A iniciativa não começou com uma comissão ou um planejamento formal, mas com o coração de irmãos e irmãs movidos pelo desejo genuíno de servir a quem ninguém via. O projeto era liderado, à época, por Samuel, Ana Paula e uma equipe maravilhosa composta por crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Havia uma entrega integral. Todos os domingos, sem falhar, desde as 6h da manhã, essa equipe se reunia para preparar lanches com recursos próprios — café, pão, fruta, bolo — e seguir até os pontos onde havia concentração de moradores de rua. Mas o gesto ia muito além da entrega da comida. Eles sabiam os nomes, as histórias, os aniversários. Era comum ver voluntários orando por eles, acompanhando internações, buscando vagas em abrigos, e até ajudando no reencontro com famílias perdidas há anos (Competência Responsabilidade Social e Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Fiz parte desse projeto por três anos consecutivos, servindo junto com eles. Posso dizer com segurança: ali eu vi o evangelho encarnado. Moradores de rua sendo libertos das drogas, restaurando a autoestima, retomando vínculos familiares e até mesmo sendo batizados. Uma das maiores lições que recebi nesse tempo foi o valor do olhar intencional. Não era só sobre entregar alimento — era sobre ver. Ver o ser humano por trás da sujeira. Ver a dor por trás da indiferença. Ver a dignidade onde o mundo só via rejeição. Mas o mais impactante era ver vidas sendo transformadas. Vi pessoas se libertando das drogas, reencontrando suas famílias, sendo reinseridas na sociedade — não apenas com um banho ou um prato de comida, mas com afeto, nome, discipulado e oração (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã; Competência Responsabilidade Social). A estrutura do projeto também me ensinou muito. Cada voluntário tinha uma função definida: logística, preparo dos alimentos, abordagem, oração, louvor, apoio emergencial. Havia uma dinâmica de trabalho baseada em confiança e responsabilidade. O modelo era horizontal: não havia um “chefe” tradicional, mas sim um senso coletivo de propósito (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Esse modelo permitia que líderes leigos florescessem naturalmente. Vi adolescentes assumindo responsabilidades com maturidade, jovens liderando orações e devocionais, adultos orientando e discipulando com doçura. A igreja ali era viva, atuante, pulsante — mesmo fora do templo. Havia um princípio de liderança colaborativa e horizontal. Cada voluntário sabia exatamente sua função: preparar os kits, abordar os moradores, organizar os recursos, conduzir o louvor ou a oração. Era liderança baseada em confiança, corresponsabilidade e entrega (Competência: Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Além da atuação direta com os moradores de rua, o projeto teve um impacto profundo na própria identidade da igreja. Os membros se tornaram mais sensíveis, mais engajados, mais conscientes da sua missão no mundo. A igreja passou a ser vista pela comunidade local como um espaço de transformação e acolhimento (Competência Responsabilidade Social). Esse projeto se tornou para mim um espelho da liderança de Jesus. Ele tocava os leprosos, comia com os rejeitados, falava com os invisíveis. No Servindo por Amor, o evangelho se tornava visível — encarnado em gestos simples e profundos (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã; Competência Inovação e Mudança). Também era impressionante ver como o projeto mobilizava recursos internos e externos. Muitas vezes, empresários, vizinhos e simpatizantes da causa contribuíam com doações, roupas, alimentos. Isso só reforçava o quanto a ação gerava relevância comunitária e espiritual. Como pastor, eu era impactado todas as semanas por essa experiência. Entendi que liderar é mais do que ensinar doutrina ou organizar cultos — é servir com coerência e coração. O “Servindo por Amor” era o lugar onde a teologia descia do púlpito e se sentava na calçada. Ali, percebi também o poder da formação prática de novos líderes. Jovens que talvez não falassem em público estavam aprendendo a liderar orações. Irmãos tímidos começaram a pregar em breves devocionais. Pessoas antes desconectadas passaram a servir com brilho nos olhos. Ali, os dons espirituais floresciam de forma prática: havia quem cantava, quem aconselhava, quem liderava a logística e quem apenas abraçava. Mas todos serviam. Foi nesse ambiente que percebi que a liderança servidora não começa no púlpito, mas na calçada. Ela não é imposta, é inspirada. E o que mais me marcou foi entender que liderar é também ajoelhar-se para amarrar os sapatos de alguém que já perdeu os seus (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). O Arpoador me parece a metáfora perfeita: o lugar aonde a luz chega primeiro, onde a cidade acorda com poesia. E foi isso que esse ministério representou na minha vida: um amanhecer de compaixão, uma clareira de esperança, uma prática concreta de justiça e graça. Liderar ali era se ajoelhar. Era enxergar o rosto de Cristo no rosto sujo do abandonado. E, talvez por isso, o “Servindo por Amor” tenha sido um dos capítulos mais belos da minha caminhada pastoral.
Capítulo 7 – Maracanã: Liderar Entre Líderes
Como quem joga no maior estádio, tornei-me Secretário Ministerial e depois Secretário Executivo. Agora eu cuidava de quem cuida.
O Maracanã é o maior palco do futebol brasileiro. Mas sua grandeza não vem apenas do tamanho: vem da história que ele representa, da responsabilidade de atuar diante de uma multidão que entende do jogo. Estar ali exige mais do que talento — exige maturidade, respeito e entrega. Foi esse o sentimento que me envolveu quando, em janeiro de 2018, tive a felicidade de realizar uma viagem que ampliou muito minha cosmovisão: visitei o Egito e Israel. Foi uma experiência transcultural marcante, onde vivenciei uma cultura completamente diferente da minha. Em 2019, participei do projeto I Will Go no Peru, onde ouvi histórias inspiradoras sobre trabalho com comunidades locais e a adaptação de mensagens bíblicas ao seu contexto cultural. No mesmo ano, visitei uma mesquita em Campinas, onde dialogamos com líderes muçulmanos sobre fé e valores compartilhados. Já em janeiro de 2024, participei de uma missão transcultural em Manaus, atendendo grupos ribeirinhos. Todas essas experiências ampliaram minha visão missiológica e de liderança (Competência Comunicação Intercultural e Globalização e Competência Inovação e Mudança). Nessas viagens, pratiquei a escuta ativa, evitando debates doutrinários. Em vez disso, compartilhei como o adventismo valoriza a saúde e a família — temas importantes para aquelas comunidades. Apliquei também o princípio da inovação coletiva, ouvindo as pessoas para adaptar a mensagem do evangelho, demonstrando que a criatividade nasce da diversidade (Competência Inovação e Mudança). Essas vivências me ensinaram que a comunicação intercultural começa pelos interesses comuns, não pelas diferenças (Competências Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã e Comunicação Intercultural e Globalização). Em novembro de 2019 fui chamado para atuar na área de mordomia cristã, sob a liderança do Pr. Gustavo de Sá, Pr. Luiznei Gambarelli, Pr. Marco Antônio e outros colegas, tive que reaprender o ministério pastoral por outra ótica. Sou muito grato a esses líderes, pois eles viram características e potencialidades em mim que ainda não haviam sido exploradas (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Participei de reuniões de planejamento, do CAD e aprofundei minha rede de contatos, ampliando minha visão ministerial. Fui acompanhado por líderes da USeB, como o Pr. Thiarlles Boeker e o Pr. Felipe Andrade, que refinaram minha compreensão sobre a mordomia e o papel estratégico dessa área na vida da igreja. Foi também uma fase marcante de aprendizado, pois exatamente nesse período o mundo foi atingido pela pandemia da COVID-19. Tive que me reinventar como líder. Foi uma oportunidade para crescer e amadurecer em várias áreas, especialmente em inovação e tecnologia (Competência Inovação e Mudança). A situação exigiu uma gestão ágil de mudanças: substituímos cultos presenciais por vigílias virtuais, treinamentos e reuniões pelo Zoom, mantendo a comunhão sem perder o propósito (Competência Inovação e Mudança). Foi uma aplicação prática do modelo de Kotter, em que a urgência gerou inovação. Durante esse tempo, percebi a necessidade de criar redes de apoio virtual para líderes, promovendo o cuidado e a continuidade do ministério pastoral (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Se tivesse aplicado a teoria da maturidade organizacional, teria criado grupos de mentoria reversa, onde jovens ensinariam os mais velhos, especialmente na área tecnológica — uma prática que fortalece a adaptabilidade (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Em março de 2022, recebi o chamado para ser Secretário Ministerial da Associação Rio Sul. Eu estava no auge da dedicação pastoral nos distritos. Servia com alegria, via frutos do ministério, formava novos líderes e ainda me envolvia com projetos de impacto social. Quando o convite chegou, confesso que fui tomado por um misto de honra e temor. O chamado era para cuidar de quem cuida, pastorear os pastores, orientar os aspirantes ao ministério, sustentar famílias que já tinham dado tudo de si. Substituir o Pr. Roberto Pareja, um homem de Deus, respeitado e admirado, parecia tarefa alta demais. Pensei: “Será que serei aceito? Terei maturidade suficiente? Sabedoria para servir sem parecer ensinar?” Mas Deus, como sempre, foi preparando o caminho. Fui recebido com carinho, paciência e confiança por colegas de ministério que antes me inspiravam, e agora me acolhiam como parceiro. No início, senti medo. Comecei um novo ciclo de liderança: agora não eram apenas igrejas locais sob minha orientação, mas colegas de ministério, aspirantes, famílias pastorais e líderes espalhados por toda a associação. Cada visita era um mergulho em uma nova história. Cada conversa, um aprendizado profundo. Assumir a Secretaria Ministerial me levou a um novo patamar de serviço. Cada visita a um pastor era uma aula viva sobre vocação, desafios e milagres. Comecei a enxergar o ministério não pelas estatísticas, mas pelas histórias. Ao sentar-se com um pastor, ouvir sua trajetória, seus conflitos e suas vitórias, compreendi que cada postura tinha uma razão, cada resistência vinha de uma dor ou de uma entrega mal compreendida (Competência Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã e Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Minhas visitas se tornaram momentos de cura e inspiração. Nunca quis chegar com respostas, mas com perguntas como: “Como foi seu chamado? O que mais tem pesado em sua caminhada? De que forma posso apoiar você e sua família?”. Passei a adotar um estilo de acompanhamento baseado no que chamo de coaching relacional espiritual. Essa abordagem criou relacionamentos de confiança, permitiu que os pastores se abrissem, compartilhassem medos, celebrassem conquistas e buscassem apoio sem receio. Mais do que líder, passei a ser visto como companheiro de jornada (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). O trabalho com os aspirantes ao ministério foi outro privilégio. Jovens pastores, cheios de paixão, mas ainda em formação, passaram a fazer parte da minha agenda constante. Organizei encontros, mentorias, orientações práticas e devocionais específicas para eles. Busquei ser ponte entre o seminário e a vida real do campo, mostrando como teoria e prática precisam andar de mãos dadas. Fui construindo com eles um ambiente seguro para aprender, errar, dialogar e crescer. Não queria apenas transmitir conteúdo, mas formar caráter, visão e espiritualidade. Incentivei-os a sonhar alto, mas também a cultivar raízes profundas de humildade e serviço. Criei espaços de diálogo entre gerações, fóruns de inovação e ambientes seguros onde os aspirantes pudessem compartilhar dúvidas, medos e ideias. Vi neles o reflexo do que eu mesmo vivi anos antes (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas e Competência Inovação e Mudança). Nesse período, fui grandemente abençoado pela convivência com líderes que marcaram meu crescimento. Destaco o Pr. Geraldo Magela, exemplo de equilíbrio e sabedoria. E o Pr. Claudinei, que me ensinou muito sobre gestão pastoral, sensibilidade organizacional e visão do Reino. Foram meses intensos — viagens, visitas, concílios, aconselhamentos, crises, reuniões com famílias, apoio emocional a líderes cansados. Mas também foram meses de frutos profundos. Ver pastores revigorados, casamentos restaurados, vocações reacendidas — isso não tem preço. Em novembro de 2023, um novo capítulo começou. O Pr. Luiznei Gambarelli, Secretário Executivo da associação, aposentou-se. E a comissão diretiva — sob liderança do Pr. Geovane Souza e do Pr. Lucas Rodrigues — decidiu me nomear como novo Secretário Executivo da Associação Rio Sul. Outro chamado desafiador, para uma posição que exige visão estratégica, equilíbrio administrativo e profunda espiritualidade. Foi outro momento em que senti o peso do Maracanã. Agora, além de cuidar de pastores, eu passava a lidar com gestão institucional, planejamento estratégico, tomada de decisões administrativas, representação junto à USeB e à DSA, reuniões do CAD, relatórios, avaliações e demandas operacionais da sede. Assumir o cargo de Secretário Executivo me levou a um novo nível de responsabilidade. Agora, além do cuidado pastoral, preciso lidar com decisões organizacionais, relatórios, planejamento de longo prazo, articulação com departamentos, concílios e representação institucional (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional e Competência: Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). Fui novamente acolhido, agora sob a liderança do Pr. Thiarlles Boeker e do Pr. Fabrício Morais, meus colegas no mestrado. Servir ao lado desses homens de Deus, em cargos de liderança, me ensina todos os dias que liderar é também seguir, aprender, recalibrar e amar. Hoje, vivo a responsabilidade de equilibrar o ministério espiritual com as exigências administrativas. Tento manter o coração no altar e a mente no planejamento. Cada reunião, cada relatório, cada conversa com colegas e líderes da igreja é uma chance de fortalecer a missão. Em cada reunião, seja na sede da associação, na USeB ou na DSA, carrego comigo o sentimento de que não sou digno, mas sou grato. Ser administrador da igreja é um privilégio que me constrange e me motiva. É o reconhecimento de uma caminhada construída aos poucos, desde o púlpito da congregação do Engenho Pequeno até os encontros decisivos nas salas de diretoria. Hoje, vivo essa dupla atuação com temor e responsabilidade: pastor e secretário. Coração no altar e cabeça no planejamento. Esse equilíbrio entre ministério espiritual e gestão administrativa representa um verdadeiro desafio (Competência Inovação e Mudança). E como no Maracanã, sigo acreditando que não jogo sozinho. Sou parte de um time que busca, com erros e acertos, representar bem o nome de Deus no campo onde Ele nos colocou. Liderar entre líderes não é sobre comando — é sobre serviço com humildade e coragem.
Epílogo – Cristo Redentor: O Futuro da Jornada
Do alto do Corcovado, a cidade é vista com outros olhos. Também é assim quando olhamos para nossa vida sob a perspectiva de Cristo.
Se o Rio de Janeiro pudesse ser definido por um único símbolo, seria o Cristo Redentor, portanto ao final desta jornada, não há metáfora mais poderosa que o Cristo Redentor. De braços abertos sobre o Rio, Ele não domina — acolhe. Não julga — abraça. Não se impõe — convida. Sua postura sobre o Corcovado inspira uma liderança que vê de cima sem perder a conexão com quem está embaixo. Foi a essa imagem que me agarrei para compreender e integrar todas as estações da minha caminhada. Os contrastes se fundem em uma paisagem que só faz sentido quando vista de cima. E é dessa perspectiva — da graça de Cristo — que quero encerrar esta jornada. A autobiografia que construí ao longo deste projeto de mestrado se tornou um ato de adoração e revisão de propósito. Não foi apenas um exercício acadêmico, mas uma travessia espiritual, um reencontro com a origem, com os sonhos que nasceram na infância, com as dores que me moldaram, com os dons que me foram confiados. Revisitando memórias, lágrimas, decisões e milagres, percebi que o fio que unia tudo não era minha força ou estratégia, mas a presença constante de Deus me chamando, me moldando e me sustentando. O menino de Neves, que sonhava enquanto comia angú sem tempero, que via a luz ser cortada da casa e o pão duro chegar como bênção, nunca imaginou liderar centenas de funcionários aos 21 anos, nem tampouco pastorear distritos, plantar igrejas, se tornar obreiro, pastor, líder, esposo, pai, aluno de mestrado ou sentar à mesa da liderança executiva da igreja. E, no entanto, a graça me levou — degrau por degrau — até aqui. Minha identidade nunca esteve no cargo, e sim no chamado. Essa consciência tem me ancorado nas decisões mais difíceis, nas crises mais delicadas e nas escolhas mais ousadas (Competência: Fundamentos Filosóficos, Ética e Valores na Liderança Cristã). Cada capítulo da vida se revelou um treinamento prático para os desafios seguintes. O que parecia simples — como distribuir panfletos ou vender mel — me preparou para negociar com empresários, formar equipes, lidar com pressões organizacionais. Os tempos de dor familiar me ensinaram a ser sensível com famílias pastorais, com esposas de colegas, com filhos de líderes cansados. O ministério pastoral me transformou. E o mestrado chegou na hora certa: no tempo da maturidade, da reflexão, da busca por aprofundamento. Estou aprendendo a sistematizar aquilo que vivi. A dar nome a experiências, a conectar prática e teoria, a alinhar cosmovisão com gestão (Competência: Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). Hoje, minha visão de futuro está ancorada em valores inegociáveis. Hoje, ao olhar para o futuro, quero manter os olhos fixos em Cristo e nos valores que Ele me ensinou através da vida e agora reforça por meio deste mestrado: - Liderar com humildade intelectual, ouvindo, aprendendo e reconhecendo que há sabedoria nos mais velhos e visão nos mais novos (Competência Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). - Formar líderes, especialmente os jovens, criando redes de apoio, ambientes de confiança, oportunidades de desenvolvimento espiritual e emocional (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). - Promover inovação responsável, ajustando estruturas sem romper identidades, adotando tecnologias sem perder a ternura, repensando formatos sem abandonar princípios (Competência Inovação e Mudança). - Viver a missão com sensibilidade social, enxergando os invisíveis, abraçando os feridos, atuando com intencionalidade onde a dor clama por respostas (Competência Responsabilidade Social). - Valoriza o discipulado e a formação de novos líderes, construindo ambientes seguros para que dons floresçam, ideias sejam ouvidas e vidas sejam acompanhadas (Competência Aprendizagem, Mentoring e Desenvolvimento de Pessoas). - Enxerga o potencial da inovação sem renunciar à identidade. Que consegue adaptar métodos sem perder os princípios, usando criatividade para alcançar os que estão à margem, como aprendi em tantos momentos da jornada (Competência: Inovação e Mudança). - Forma comunidades organizadas, saudáveis e participativas, onde o poder é compartilhado, os processos são transparentes e a missão está no centro (Competência: Comportamento e Desenvolvimento Organizacional). - Entende a responsabilidade social como parte indissociável da missão. Que vê os excluídos, os moradores de rua, as crianças hospitalizadas, não como projetos de caridade, mas como parte da família de Deus (Competência: Responsabilidade Social). E, acima de tudo, liderar com ternura e integridade, servindo com os olhos voltados para o Cristo que lidera com mãos feridas. Testemunhar Cristo não apenas nas palavras, mas na postura. Que meus braços, como os dEle, permaneçam abertos para acolher, servir e redimir. Os próximos passos dessa jornada não estão completamente traçados. Mas sei quem os guia. E sei que, com Mariana ao meu lado, com minha família como legado e com Deus como destino, meu ministério ainda tem muito a entregar. Vejo neste mestrado uma plataforma de transformação. Quero inspirar outros líderes, ajudar distritos a florescerem, preparar sucessores, multiplicar legados. Quero unir teologia e prática, inteligência organizacional e pastoreio compassivo, visão estratégica e compaixão pastoral. Como no alto do Corcovado, onde tudo parece pequeno diante da grandeza de Cristo, quero viver com os olhos no céu e os pés na cidade. Olhar o Rio — minha casa — como um campo missionário cheio de promessas. E olhar para cada líder, cada membro, cada criança, cada aspirante, como alguém digno do abraço do Redentor. O mestrado em liderança na Andrews University, em parceria com o UNASP, é um novo degrau nessa montanha. Aqui, estou reaprendendo a refletir, a planejar, a sistematizar experiências que antes eram apenas vividas — agora interpretadas com profundidade teórica e propósito estratégico. Estou sendo desafiado a unir a sabedoria prática da vida com a excelência acadêmica, transformando vivência em visão. Ao concluir esta narrativa, sinto-me profundamente grato por tudo o que vivi até aqui. Reconheço que minha jornada foi marcada por desafios, aprendizados, milagres e encontros que me moldaram como pessoa, pastor e líder. No entanto, entendo que essa trajetória não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida para novos níveis de liderança, serviço e impacto. Olhar para o futuro é olhar para o chamado contínuo de Deus. Quero liderar com mais sabedoria, sensibilidade e intencionalidade, aprofundando minha escuta, expandindo minha visão e renovando diariamente meu compromisso com os valores do Reino. Desejo continuar formando líderes, servindo à igreja e à sociedade com coragem moral, coerência ética e criatividade pastoral. Com o apoio do mestrado, pretendo aplicar de forma ainda mais consciente os princípios da liderança servidora, da gestão transformadora e da mordomia estratégica. Quero contribuir para a construção de comunidades mais inclusivas, espiritualmente vivas e organizacionalmente resilientes. Minha meta é atuar como facilitador de processos de mudança, integrando fé, razão e ação para que a missão da igreja continue avançando com relevância. Este processo me mostrou que minha história é instrumento de liderança. Que minha dor pode gerar empatia, que minha trajetória inspira, e que a minha caminhada marcada por contrastes como o Rio pode ser um mapa para quem vem depois. Ao me colocar diante do Cristo Redentor, entendo que o verdadeiro líder é aquele que aponta para Ele. Que os braços que abraçam a cidade também me convidam a abrir os meus para acolher, formar, servir, transformar. Assim, sigo. Ainda aprendendo. Ainda em travessia. Mas com a certeza de que quem começou a boa obra há de completá-la. E que, até o último capítulo, Cristo seguirá sendo o autor, o redentor e o destino da minha liderança.